Este fim-de-semana aconteceu a primeira edição da Upload 2.0. E que esta referência à primeira edição sirva desde já de parabéns à organização, ao espÃrito e à vontade de termos por cá eventos com esta abordagem.
Um ponto de coragem/loucura foi terem posto um ecrã no palco, com a projecção dos tweets que se faziam com a tag do evento. E se digo coragem/loucura foi porque ali nasceu um monstro muito interessante e que vou usar como paradigma das redes sociais e daquilo que deve ser o trabalho sobre elas:
1. Free Speech
A primeira coisa que aquele ecrã nos mostrou é que as vozes não são únicas e que as redes potenciam isso mesmo. Em todas as áreas, em todos os momentos. As pessoas têm voz e querem usá-la seja para o que for e não estão disponÃveis para que essa voz seja censurada (assim mesmo sem aspas).
Querer estar nas redes sociais, seja qual for o nosso objectivo, e ignorar que estas vozes se vão levantar ou ter a veleidade de as querer controlar será o primeiro grande erro.
No ecrã tanto apareceram disparates como pontos sérios sobre o que se dizia, concordando com a apresentação mas também discordando. Essa interacção será a grande mais valia. Querer controlá-la será perdê-la.
Aproveitem é para falar com elas: “As pessoas não mordem” foi dito muita vez.
2. Medição da Audiência
Em muitas apresentações se falou da necessidade de se medirem os resultados das acções com as redes sociais e não há, claro, um consenso. Se pudessemos juntar os videos que vão sair da conferência com o twitter wall e sincronizar tirariamos daà grandes conclusões sobre esta medição. Talvez de forma inversa. As apresentações mais activas geraram menos tweets, ou pelo menos, menos tweets disparatados. As outras deram espaço à loucura. Terá sido uma crueldade para alguns dos oradores… mas é assim que as coisas funcionam na vida real.
A medição do sucesso será um conjunto de coisas, umas mais objectivas que outras. Mas é uma análise a fazer entre número de seguidores, comentários deixados, motivos de mudança ou melhoria retirados desses comentários, etc, etc, etc.
Acima de tudo têm a ver com os objectivos de presença e a estratégia a seguir. Sobre isto podem ver a apresentação do Armando Alves sobre OBNI’s – Objectos Brilhantes Não Identificados.
3. Acompanhamento e interacção
Alguns dos oradores perceberam que estavam a acontecer coisas em momentos diferentes e tentaram levar isso para a conversa, dando-lhe resposta. O mesmo deve acontecer nas redes. Se vamos estar lá temos que ouvir e saber responder. E responder sempre. E deixar falar. Pensem que se não deixarem falar na vossa rede as pessoas irão falar para as outras. Isso é uma certeza.
4. Have fun
Tenham prazer nessa abordagem, envolvam-se, participem. Não deixem apenas a agência ou o departamento de comunicação a mexer nas coisas. Vão ver que se surpreendem. Criem um perfil pessoal e olhem com os olhos de fora.
Tenho sempre agradáveis surpresas quando abrimos a conta do Google Analytics para os nossos clientes e eles começam a perceber as teorias da optimização, da importância do conteúdo, a verem que os seus clientes entram e saem por outras portas que não aquelas a que eles quiseram dar importância.
E neste ecrã houve diversão seguramente. Mas não quer dizer que não se tenha aprendido nada. A organização terá aprendido que oradores sentados atrás de uma mesa não é boa ideia, por exemplo.
5. Andamos todos a aprender
Tal como em todas as outras actividades da empresa, o estar ou não nas redes, sejam elas quais forem, terá que ter objectivos, estratégia e atitude.
E sobre isto andamos todos a aprender com os sucessos e os insucessos: mais livro menos livro, mais blog menos blog, mais estudo menos estudo. Mas acima de tudo aprendemos fazendo, com a experiência.
Este ecrã foi uma experiência, e logo no inicio dos trabalhos tive a oportunidade de dizer que ia dar trabalho. E deu. Mas valeu a pena. Espero que o mantenham para a próxima edição.
Este ecrã foi a verdadeira experiência 2.0 e tiro o meu chapéu à coragem de o terem posto lá.
Se quiserem ver o que mais ou menos se foi escrevendo por lá, é terem a paciência de lerem a pesquisa desde inicio. E qualquer coisa estou por aqui ou por aqui.
(foto by @browserd)


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